Meu pai amava "um rock n' roll bem tocado, bem pensado". Foi ouvindo Alice in Chains, Pink Floyd e Legião Urbana que ele aprendeu a escutar o mundo com atenção — e também a se expressar. Em 2009, no meio de uma vida cheia de turnos, contas e responsabilidades, Lino Filho se sentou e gravou samples, trechos de guitarra, fragmentos de melodia e pedaços de letra. Eram sementes. Ele tinha pouco tempo, mas muito o que dizer.
Essas gravações de 2009 ficaram guardadas. Pequenos arquivos, pequenos cadernos, pequenas ideias soltas que não chegaram a virar álbum em vida. Até que em 2025, já sem ele aqui, sua família reencontrou esse material e decidiu que aquelas sementes merecidamente precisavam virar árvore. Com o apoio do SUNO, uma ferramenta de inteligência artificial generativa de música, as lacunas foram costuradas: o que meu pai não teve tempo de tocar, a IA tocou; o que ele não teve tempo de gravar, a IA preencheu — sempre respeitando o que ele havia deixado registrado.
O resultado é LAMF, 11 faixas que começam em 2009 e terminam em 2025. Um álbum que não é só dele e não é só nosso — é um encontro. Cada música carrega as influências que moldaram o Lino que a gente conheceu: o peso do Grunge, a melodia de Gilmour, a poesia de Renato Russo, e a fé silenciosa dos últimos anos. Se escutarem com atenção, talvez ouçam o mesmo que a gente ouve: um pai, um marido, um pensador, enfim tocando a música que sempre existiu dentro dele.
Pai, aqui está seu álbum. Tocamos contigo.
LAMF — Faixa 01
LAMF — Faixa 02
LAMF — Faixa 03
LAMF — Faixa 04
LAMF — Faixa 05
LAMF — Faixa 06
LAMF — Faixa 07
LAMF — Faixa 08
LAMF — Faixa 09
LAMF — Faixa 10
LAMF — Faixa 11